Ciméria, um poema

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Robert E. Howard

Ciméria é um poema sobre o país fictício de mesmo nome onde Conan nasceu durante a Idade Hiboriana. Idade esta correspondendo a um período histórico também fictício, mas que teria se iniciado após a queda de Atlântida cerca de 12.000 a.C. e se encerrado antes do período neolítico, cerca de 9.500 a.C., com o último cataclismo. Alguns pesquisadores sugerem que o eu lírico, isto é, aquele que narra o poema, seria o próprio Conan, o que é bastante plausível.

De acordo com Robert E. Howard ele foi “escrito em Mission, Texas, em fevereiro de 1932; inspirado pela lembrança das colinas próximas a Fredricksburg, vistas na névoa de uma chuva de inverno”.

Eu me lembro
Das escuras florestas, mascarando encostas de colinas enevoadas;
Do cinza plúmbeo das nuvens em eternos arcos;
Dos córregos crepusculares que fluíam em silêncio,
E dos ventos solitários que sussurravam desfiladeiros abaixo.

Paisagem após paisagem marchando, colinas sobre colinas,
Encosta após encosta, todas escuras com taciturnas árvores,
Nossa terra desolada jazia. E quando um homem subia
Um pico escarpado e contemplava, seus protegidos olhos,
Viam nada além da paisagem infinita – colina sobre colina,
Encosta após encosta, todas cobertas como suas irmãs.

Era uma terra melancólica que parecia abrigar
Todos os ventos e nuvens e sonhos que fogem do Sol,
Com galhos despidos chacoalhando aos solitários ventos,
E as escuras florestas sobre tudo meditando,
Nem mesmo iluminadas pelo raro e esmaecido Sol,
Que projetava extensas sombras desde os homens; eles a chamavam de
Ciméria, terra de Trevas e profunda Noite.

Isso foi há tanto tempo e distância
Que esqueci o nome pelo qual os homens me chamavam.
O machado e a lança de ponta em sílex são como um sonho,
E caçadas e guerras são sombras. Lembro-me
Apenas da quietude daquela terra enevoada;
Das nuvens para sempre empilhadas sobre as colinas,
Do esmaecer das florestas eternas.
Ciméria, terra das Trevas e da Noite.

Oh, alma minha, nascida das sombrias colinas,
Com nuvens e ventos e fantasmas que fogem do Sol,
Quantas mortes servirão para romper, afinal,
Essa herança que me envolve em cinzas
Vestes de fantasmas? Busco em meu coração e encontro
Ciméria, terra das Trevas e da Noite.

Este poema é uma tradução minha, de uma obra já em domínio público. O texto foi tirado do site Project Gutenberg Australia, que disponibiliza livros que já estão em domínio público em formato texto puro.

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