RuneQuest, Basic Roleplaying, Legend, OpenQuest e G.O.R.E.

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O que RuneQuest (RQ), Basic Roleplaying (BRP), Legend, OpenQuest (OQ) e G.O.R.E., têm em comum é o fato de usarem todos o mesmo sistema, às vezes chamado de Sistema d100. Esse sistema é de origem antiga e, embora atualizado, guarda certa aura Old School, um termo em moda atualmente. O sistema se consagrou na década de 1980, inicialmente em jogos de fantasia, sobretudo RQ, enquanto que BRP dava sinais de evoluir para se tornar um sistema genérico e universal. Já OQ e GORE apareceram nesta década de 2010, como clones de RQ e BRP respectivamente. Vamos voltar às origens e falar um pouco de cada um. Enquanto Legend é uma versão OGL do RQ.

RuneQuest 1ª edição (RQ1)

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Em 1978, foi publicada a primeira edição de RQ, pela Chaosium, tendo por autores: Steve Perrin, Ray Turney, Steve Henderson, Warren James, e Greg Stafford. Foi o primeiro RPG baseado em sistema de perícias. Sim, isso mesmo. Se hoje praticamente todos os sistemas possuem sistema de uso de perícias para realizar ações e que refletem os conhecimentos dos personagens, é porque RQ criou isso. Além dessa inovação, trouxe outras: não havia limitação de classes; trazia um mundo próprio integrado; a experiência era adquirida diretamente e não distribuída pelo Mestre (se você usava uma perícia, adicionava cada sucesso ao lado da perícia, se acumulava o suficiente então você evoluía um nível nela); os monstros na prática eram PCs do Mestre, isto é, não tinham sistema próprio, PCs e NPCs eram construídos da mesma forma, como são hoje em GURPS e outros sistemas; combates realistas e mortais etc. Como dito, ele vinha com um cenário pronto pra uso: Glorantha, do Greg Stafford.

O nome do jogo “Rune”, proveio da popularidade na década de 1970 do uso de runas como método de adivinhação.

RuneQuest 2ª edição (RQ2)

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Em 1979 a Chaosium lança o que seria seu maior sucesso: RuneQuest 2ª Edição (RQ2). Este já era grande e tinha umas 130 páginas. Foi o segundo RPG mais jogado depois de AD&D. Teve mais de 20 suplementos lançados até 1983.

Basic Roleplaying 1ª edição

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Em 1980, Greg Stafford e Lynn Willis, publicaram a primeira edição do BRP, também pela Chaosium. Era um livreto de 16 páginas contendo uma versão simplificada do RQ. Ou seja, o BRP derivou do RQ e não o contrário. Pra quem não sabe, o BRP virou o sistema adotado nos jogos: Call of Cthulhu, ElfQuest, Superworld, Elric, Stormbringer, Hawkmoon, Ringworld e outros.

01dEm 1982 a Chaosium tenta emplacar seu primeiro sistema genérico, o Worlds of Wonder, que era uma versão do BRP de 1980 com outros três livretos de 16 páginas cada: Magic World (um RQ simplificado), Superworld, e Future*World (com * pra não confundir com o filme do Yul Brenner de 1976). Desses, apenas o Superworld gozou de alguma aceitação.

RuneQuest 3ª edição (RQ3)

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Mas em 1984 a Chaosium não estava bem das pernas e teve que decidir entre vender os direitos autorais do Call of Cthulhu e os direitos do RQ. Advinha qual ela vendeu? O RQ claro, pra Avalon Hill. O acordo previa o desenvolvimento do RuneQuest 3ª Edição (RQ3) pela equipe da Chaosium, que então venderia os direitos desse RQ3 para a Avalon Hill. No entanto, esse acordo não incluía o mundo de Glorantha, que permaneceu com a Chaosium e com Greg Stafford. RQ3 não fez tanto sucesso quanto RQ2, mas foi publicado de 1984 até 1995. O sistema mudou muita coisa em relação ao RQ2 e acabou não agradando a todos os jogadores. Além disso a Avalon Hill não deu suporte adequado ao produto.

RuneQuest Rascunho de uma 4ª edição

Em ano incerto, a Avalon Hill, pelas mãos de Oliver Jovanovic, a princípio com apoio da Chaosium e de Greg Stafford, iniciou um projeto para lançar o RuneQuest: Adventures in Glorantha (RQ:AiG), que incluiria o mundo de Glorantha e atualização de regras do RQ, no que ficou conhecido como um RQ3.5 por alguns, porque na prática nunca foi publicado. A intenção é que esta se tornasse a 4ª edição.

A razão do insucesso da empreitada que lançaria o RQ:AiG veio em abril de 1994, quando Ken Rolston, conhecido como “Rune Czar”, deixou a Avalon Hill. Em consequência disso o RQ parou de receber suporte apropriado desagradando aos fãs do sistema e a Greg Stafford, assim naquele ano a Chaosium e a Avalon Hill cortaram relações, foi o fim da tentativa de publicar o RQ:AiG juntamente com o cenário de Glorantha, acabando com a clássica parceria.

A Avalon Hill e Oliver Jovanovic tentaram achar outro cenário para o RQ:AiG, só que aconteceu o inimaginável: Jovanovic foi acusado de crimes sexuais. O episódio ganhou repercussão nacional nos EUA, ele foi demitido da Avalon Hill, preso em 1996, condenado em 1998, libertado em 1999, teve um novo julgamento em 2001 e o caso foi encerrado porque a mulher não foi depor (era um caso de sadomasoquismo, depois provou-se que foi consensual). Nesse ínterim, RuneQuest foi associado com uma espécie de seita sexual!!! Infâmia nacional… RQ:AiG foi enterrado de vez, sem nunca ser publicado.

Complicações Legais

A situação ficou assim: a Chaosium detinha todos os direitos de Glorantha, enquanto que a Avalon Hill ficou com os direitos da marca e do sistema RQ.

Mas aí, em 1997, a Chaosium criou a Issaries Inc, que tentou publicar o Glorantha usando outro sistema, mais tarde conhecido como HeroWars e depois HeroQuest, mas não foi adiante e não fez sucesso.

No mesmo ano a Avalon Hill publicou o RuneQuest: Slayers, mas que nunca chegou a ser um RQ4. Na verdade era um sistema completamente diferente, eles apenas tentaram usar o nome conhecido para promover o jogo. A empreitada não vingou.

Em 1998 a Hasbro incorporou a Avalon Hill e encerrou o RuneQuest: Slayers. Eles mudaram o nome pra RuneSlayer e liberaram gratuitamente na internet.

Mas aí veio o grande medo: a Hasbro engoliu também a Wizards of the Coast, que tinha engolido a TSR, que era proprietária do AD&D!!! Com a licença d20 os fãs ficaram com medo de nunca mais ver o RQ. O que de certa forma se concretizou, pois de 1997 a 2002 os anos foram deprimentes para os fãs: nenhum material novo foi publicado e as revistas virtuais especializadas foram desaparecendo.

Basic Roleplaying 2ª edição

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Em 2002, a Chaosium, que a essa altura não mais estava associada à Greg Stafford ou à Issaries, anunciou a publicação do BRP de novo. Lembremos que BRP e RQ são sistemas irmãos, e as regras são muito parecidas. Houve muitos rumores e especulações na época. O resultado foi o lançamento de um livreto de 16 páginas com as regras básicas.

Luz no fim do túnel…

Em 2003, a Hasbro/WotC/Avalon Hill deixaram os direitos da marca RQ expirar, pois não tinham mais interesse nele, e a Issaries o adquiriu. Enquanto que as regras do sistema RQ foram parar nas mãos da Chaosium de novo por desuso. Parece ter havido uma cláusula de que se a Avalon Hill não usasse o sistema por um certo período, ele se reverteria para a Chaosium. Os advogados da Hasbro confirmaram isso. Assim RQ foi salvo das mãos da perversa Hasbro/WotC, mas o sistema RQ e a marca RQ estavam separados em duas entidades completamente diferentes: Issaries e Chaosium.

Basic Roleplaying 3ª edição

Em 2004, a Chaosium publica um BRP depois chamado de Deluxe BRP que nada mais era do que as regras do RQ3 reimpressas, mas sem o nome RuneQuest e sem referências à Glorantha, pois eram da Issaries, pois Greg Stafford agora estava lá.

runequestRuneQuest 4ª edição (RQ4), o renascer

Em 2005, Greg Stafford deu uma de esperto. Ele tinha o nome RuneQuest, mas não tinha o sistema RuneQuest, então ele fez um acordo com a Mongoose Publishing para editar um novo RQ com novas regras. Na verdade eram as mesmas regras, mas descritas de com outras palavras.

O uso das regras foi possível devido a uma brecha na Lei de Direitos Autorais dos Estados Unidos (USC, Title 17, Chapter 1, §102. E no flier 108 do United States Copyright Office, órgão dos EUA responsável por registrar copyrights e interpretar a lei de copyright). Essa mesma brecha também existe na lei brasileira (lei 9.610/98, art. 8º, incisos I e II). De acordo com essas legislações os direitos autorais e o copyright não protegem a forma de jogar, o método ou métodos de jogo. Uma vez tornado público, nada impede que outra pessoa desenvolva jogo similar. Eles protegem apenas a forma particular de um autor se expressar literária ou artisticamente. Os direitos autorais não protegem as regras de jogo em si, mas o texto usado para descrevê-las. Assim, se a Mongoose utilizasse as mesmas regras do jogo, mas as escrevesse com outras palavras, ela não estaria violando os direitos da Chaosium.

E em 2006, em acordo com a Issaries, a Mongoose publicou o RuneQuest (RQ4, MRQ ou MRQ I). Essa sim a verdadeira 4ª edição do jogo. Esse sistema foi publicado debaixo da Open Game License (OGL) e foi disponibilizada um System Reference Document (SRD) dele, que é um Documento de Referência do Sistema, um conjunto de arquivos texto com a descrição das regras do jogo, destinada aos desenvolvedores de jogos.

Basic Roleplaying 4ª edição

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Em 2008 a Chaosium, se aproveitando do revival do antigo sistema promovido pela Mongoose, surpreende lançando uma nova edição do BRP com cerca de 400 páginas, um verdadeiro módulo básico! O sistema é genérico e universal e tem as melhores características dos BRP e RQ anteriores. Dizem que é possível replicar o RQ3 usando o BRP da Chaosium com muito mais perfeição do que o MRQ. Esse sistema é o usado no Call of Cthulhu.

RuneQuest 5ª edição (RQ5)

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Em 2010 a Mongoose publica uma versão revisada e melhorada do MRQ I, chamado de RuneQuest II (RQ5 ou MRQ II). Essa revisão foi feita para se parecer mais com o antigo RQ, com o fito de agradar aos fãs mais antigos que não gostaram do primeiro MRQ, além de corrigir diversos desequilíbrios e inconsistências das regras. Só que esse MRQ II não foi disponibilizado pela OGL, para tristeza geral.

Movimento Jogo Livre (OGL)

No meio de tudo isso, temos que a Mongoose já tinha liberado a sua versão do sistema pela OGL. E algumas empresas e indivíduos não perderam tempo e desenvolveram seus próprios jogos com ela.

A Goblinoid Games publicou o sistema Generic Old school Roleplaying Engine – G.O.R.E. A Goblinoid usou tanto a OGL da Mongoose quanto a estratégia do Greg Stafford, e criou um sistema clone do BRP da Chaosium, só que Open Game (OGL). Só que não é tão completo, tem menos da metade das páginas. A diferença é que enquanto o MRQ I e II são voltados para fantasia medieval, o GORE é genérico e universal, e bastante compatível com o BRP.

Em setembro de 2009, a D101 Games publica o OpenQuest (OQ), também OGL, baseado na SRD do MRQ I da Mongoose. Em setembro de 2013 publicou o OpenQuest 2 (OQ2).

RuneQuest 6ª edição (RQ6)

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Em meados de Julho de 2011, Lawrence Withaker, cofundador da The Design Mechanism (TDM), anunciou a assinatura de um acordo com a Issaries (detentora da marca RuneQuest) pelo qual a TDM passa a ser o novo licenciado para publicação do jogo RuneQuest. O MRQ I e II foram publicados pela Mongoose sob licença da Issaries. A partir de 2012, a TDM passou a publicar a nova edição, o RuneQuest 6ª Edição (RQ6).

Lawrence Withaker e Pete Nash trabalharam na Mongoose e escreveram o MRQ II. O resultado agradou bastante aos fãs com sua publicação em Julho de 2012.

Legend, sucessor do MRQ II

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Com a perda dos direitos de uso do nome RuneQuest para a TDM, a Mongoose anunciou a mudança do nome do seu MRQ II para Legend, mas assegurou que as regras são exatamente as mesmas, de modo que quem comprou o MRQ II não precisou adquirir o novo Legend, publicado em Outubro de 2011. Esse sistema, que é em essência o MRQ II, foi liberado pela OGL, o que agradou bastante, pois acabou corrigindo o “erro” de não ter liberado o MRQ II.

SITES DE REFERÊNCIA:

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Sobre Nerun

Advogado, historiador, numismata, nerd, colecionador de quadrinhos, RPGista, e super fã de GURPS.